“Eu Não Como Comida, Eu Como Números”

anorexia

Começo o post de hoje com uma frase que me deixou preocupada: “A anorexia nervosa é a terceira doença crônica mais comum em adolescentes do sexo feminino.” Eu já sabia que era um transtorno muito comum, mas não tanto. Depois disso, fiz uma busca rápida no Google e fiquei ainda mais preocupada com a quantidade de blogs e sites que são “Pró Ana” (pró anorexia).

Esses blogs e sites são mantidos por meninas e mulheres (algumas vezes homens) que praticam anorexia e vêem isso não como uma doença, mas como um estilo de vida. Neles, a magreza excessiva é aplaudida e vista como inspiração, encontra-se dicas de apologia ao distúrbio que levam milhares de pessoas a perder a batalha contra a doença.

transtornos alimentares

Dietas hiper restritas (achei “cardápios com 150 e menos kcal a serem consumidas por dia), dicas de como evitar lugares e pessoas, desculpas para inventar aos pais, meios de fugir da comida, dicas de laxantes e diuréticos e até de medicamentos de hormônios para evitar que o metabolismo entre em platô (redução do metabolismo que leva a uma maior dificuldade de emagrecimento).

Primeiro, vamos tomar consciência da doença!

anorexia

Os transtornos alimentares são caracterizados por alterações nas atitudes alimentares e por marcante insatisfação com a imagem corporal. Dietas restritivas severas, ingestão alimentar irregular, aversões alimentares, compulsões e comportamentos compensatórios e de purgação são peculiaridades típicas dos transtornos relacionados à comida. A anorexia nervosa é um deles, vista como uma “amiga da mulher” e uma oportunidade para entrar nos estereótipos impostos pela sociedade atual, traz malefícios importantes à saúde, muitas vezes irreversíveis, levando à morte.

O portador do distúrbio apresenta comumente as seguintes características:

  • Restrição da ingestão alimentar com importante perda de peso;
  • Recusa em manter peso mínimo adequado para idade e altura;
  • Medo intenso em ganhar peso;
  • Distúrbio da imagem corporal;
  • Amenorreia em mulheres (ausência de menstruação em mulheres de idade fértil)

anorexiaComo a maioria dos jovens não estão preocupados com o amanhã, e são intensamente influenciados pelos corpos vistos na mídia e pelo ambiente social e familiar, não se atentam para os problemas que podem enfrentar devido à desnutrição desencadeada pela anorexia nervosa. Alterações endócrinas, gastrintestinais, alterações no sistema imunológico com redução dos mecanismos de defesa, diminuição da força muscular, anormalidades na mineralização óssea (comprometendo o pico de massa óssea e aumentando o risco de fraturas) e acometimento do músculo cardíaco são bons exemplos do que este indivíduo pode desenvolver.

Assim, deixo a mensagem de que deixar um pouco a pressa de lado e buscar hábitos saudáveis dentro de sua própria realidade ainda é o melhor método para alcançar seus objetivos.

Sua felicidade não deve ser vinculada à magreza excessiva. Se sua aparência é assim tão importante, que tal ter cabelos e unhas fracas e quebradiças, bochechas pálidas e sem forma, falta de curvas, ossos aparentes e fracos, mal hálito e dentes frágeis? Pense nisso. Extremismos não levam ninguém a lugar nenhum! Comer bem, com equilíbrio e consciência sim!

anorexia

Se você se identificou com esse transtorno, procure ajuda! Há evidências de que, com a restauração do peso, muitas das complicações clínicas dos transtornos alimentares podem ser revertidas. Assim, torna-se imprescindível o olhar atento de uma equipe multidisciplinar.

anorexia

“Toda sociedade tem um jeito de torturar mulheres. Nosso jeito é impondo a busca à perfeição. Isto não deveria ser desse jeito. Todos temos direito de viver sem ter nossos corpos criticados.”

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Por: Anne Paiva

 


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Eu Digo Não à “Gordofobia”

gordofobia

Começo este post relembrando o fato que aconteceu na cidade de Brasília há poucos dias, no qual modelos plus size participaram de uma manifestação contra o preconceito a pessoas que não se enquadram nos “padrões de beleza” impostos pela sociedade. A manifestação contra a “gordofobia” (termo horrível, ao meu ver) foi incentiva depois de duas das modelos ouvirem do recepcionista de um hotel da capital que “não caberiam juntas numa cama de casal”.

O termo “gordo” é bastante usado, não é mesmo? E o pior não é o termo, são as fantasias que se cria de pessoas que sofrem de obesidade. Para muitas pessoas, o termo “foco, força e fé” não se aplica a alguém que está acima do peso. Aquela pessoa não tem foco por não ter uma bunda dura e sarada? Por favor né, pessoal.

Estamos vivendo um booom de preconceito, de inversão de valores e de muito ódio. No qual uma blogueira famosa é vista como “deusa” do mundo da nutrição por não ser acima do peso e fazer exercícios físicos. Como se isso fosse algo inimaginável! Assim, o conceito de saúde se perde num abismo, muitas vezes sem volta.

Eu sempre fui a favor de estar de bem com o corpo e com a mente. Sem extremismos, sem sofrimentos. Eu sempre fui a favor da saúde. Você está hipertenso, com o triglicérides alto e na beira do diabetes? Então vamos conversar. Você está de bem do seu corpo e quer ter uma vida saudável? Você está de parabéns!

O alimentar-se está pautado em culpa. E a felicidade hoje está no “esmaga que cresce”.
É claro que se sua auto estima estiver boa, ótimo. Mas depositar todas as expectativas de o que não dá certo na vida ser por causa do corpo já é um exagero imensurável.

comendo pizza

Talves vocês se sintam um pouco como eu me sinto. Eu, como nutricionista, não faço dietas malucas, como glúten, tomo leite com lactose, tomo sorvete, como doce, como arroz e feijão, assim como todas as pessoas. Não estou em busca de um corpo perfeito e completamente duro, pratico exercícios físicos que eu gosto porquê me dá uma sensação ótima para enfrentar as coisas do dia a dia. E me sinto numa jaula quando estou em um lugar e alguém vem e me diz: “NOOOOSSA, VOCÊ TÁ COMENDO ISSO? VOCÊ NÃO É NUTRICIONISTA? TEM QUE COMER SÓ SALADA!”. Ou seja, sinto o preconceito na pele, de por ter escolhido uma profissão que tem como base a alimentação, não poder ser uma pessoa normal. Estou aprendendo a ignorar, mas acreditem, já pensei muito em largar tudo, e essa era uma questão chave na minha vida. Nunca gostei de estar presa a algo, mesmo que seja algo que esteja apenas dentro da cabeça pequena de algumas pessoas.

Marilyn Monroe
Por isso eu digo. Estar acima do peso não faz de alguém menor que aquela pessoa que está no seu peso normal. Vamos tentar ser mais compreensivos! Existe uma infinidade de questões que levam alguém a estar acima do peso, e elas precisam ser tratadas com um profissional habilitado para este fim.

melanciaLembre-se: Para uma pessoa que está acima do peso, as expressões “nossa, você está comendo isso?”, “fulano chegou, vai comer toda a comida da casa”, “você precisa fazer um regime urgente”, “se você fosse mais magra não teria acontecido isso”, “nossa, nunca vai arrumar um namorado gorda desse jeito”, “você não tem força de vontade? para de comer”… (e tantas outras que se eu for escrever não vão caber nesse espaço que tenho aqui) seriam cômicas se não fossem tão trágicas. Isso vai agravar mais ainda a situação. Vai por mim!

Se você pensa que chamando uma pessoa de gorda ela vai emagrecer, está bem enganado!

A obesidade deve sim ser tratada com seriedade, é uma doença (que se você não sabe já vem sendo reconhecida como “Epidemia Mundial”) faz tempo. Palavras de incentivo estão longe de ser de cunho depreciativo. Para uma pessoa emagrecer, todos que estão ao seu redor devem ajudar, e não dar uma rasteira de culpa.

Uma frase que eu gosto bastante, do Dr. Maurice E. Shils, para fechar minhas palavras com chave de ouro, e que (espero eu) tragam a você uma reflexão importante e intrigante é a seguinte: “A obesidade não é um problema moral, não é um problema mental ou de falta de força de vontade, seu tratamento implica na redução da mortalidade de pessoas que teriam suas vidas ultimadas precocemente.”

E para quem passa por isso que eu tentei expor, digo apenas: coragem amigo, você não está sozinho! E para você que não enxerga outra coisa além do peso alheio e acha que ser magro é parâmetro de felicidade (e de foco), você é um babaca, apenas. Eu sinto muito.

Por: Anne Paiva