E Então a Blogueira Diz: Não Comente Sobre Meu Corpo

Já tem um certo tempo que estou pensando sobre isso… O quanto alguns discursos de “ame o seu corpo”, “faça exercícios por amar você”, “não estou fazendo dieta, estou modificando hábitos”, podem ser totalmente falsos e não mostrarem a realidade.

Ser magra

Imagem: Pinterest

Tá que mostrar a realidade é algo que as mídias sociais não fazem, estamos fartos de saber, mesmo que tentamos esquecer sobre isso.

Vi um comentário de um seguidor no perfil de uma blogueira e me acendeu ainda mais o sentimento de impotência.

Vou resumir para vocês. Era uma foto, na qual a blogueira, mais duas meninas (dentre elas sua irmã, também blogueira), estavam fazendo uma corrida na praia. Até aí tudo bem. Mas um detalhe chamou a atenção: uma delas estava mais “cheinha” na foto. O que rendeu uma chuva de comentários negativos sobre a forma física da mesma.

Depois disso, vieram os comentários delas: “não comentem sobre os corpos das outras pessoas”, “vamos ter mais sororidade”, “parem de falar que ela está gorda, foi só o ângulo…”.

Eu sou completamente adepta disso: não vamos comentar sobre os corpos alheios. É fácil? Não! Mas sigamos tentando cuidar mais de nossas vidas.

Porém, o que me instiga e me assusta é que, depende BASTANTE do comentário sobre “corpos”.

As mesmas blogueiras, há pouco tempo, estavam passando por um “tratamento” em uma clínica de emagrecimento de São Paulo. Tudo gravado em vlogs e mais vlogs intitulados “Diário da Dieta”. Nesses vlogs era nítido ver a cultura da dieta nelas. Restrições (bem pesadas, por sinal), desafios para ficar sem comer isso ou aquilo, bastante água com limão em jejum pela manhã, muitos exercícios físicos (traduzidos em “tá pago!”), suplementos, tratamentos estéticos, autopunições após comer exageradamente ou comer algo tido como “jacadas”, “besteiras”, “porcarias”, “dieta detox”, medo das broncas do nutricionista, se pesar o tempo inteiro…

Depois disso, era claro que elas perderiam peso (mesmo aquilo não sendo saudável e nem muito menos sustentável).

E sabem os comentários sobre corpos que falei ali em cima? Pois bem… Eles também apareciam, mas com uma conotação diferente:

  •  “Você é minha inspiração.”
  • “Olha essa barriga, Brasiiil.”
  • “Peraí que vou ali vomitar o que eu comi.”
  • “Magraaaaaaa.”
  • “Quero essa magrezaaaaaa.”
  • “Linda e magra!”
  • “Me passa o nome da sua nutri. Preciso desse corpo.”

O detalhe é que nós também não sabemos se nessas mesmas fotos haviam resquícios de photoshop e afins… Porém seguimos com a reflexão.

Por que esses comentários na época não doíam? Não incomodavam? Muito pelo contrário… Ainda davam aquele “gás” a mais para elas continuarem com seus protocolos de dieta restritiva?

Body shamming

Imagem: Pinterest

Sabe por que? Porque nossa cultura ~ ainda ~ é essa, dos corpos magros, do sucesso traduzido em peso perdido na balança. E ainda temos um longo caminho pela frente.

Passados alguns meses, era óbvio que elas não conseguiriam manter os pesos. É óbvio que a cada vez que elas começarem uma nova dieta, será ainda mais difícil emagrecer e ainda mais fácil ganhar peso. Isso é perfeitamente natural e comum.

Mas aí, as mesmas seguidoras que queriam vomitar a comida por ver os resultados são as mesmas que criticam os corpos mais cheios. E isso incomoda. Isso insulta. Isso leva para baixo.

Aí começam o comer transtornado, os transtornos alimentares e da imagem corporal, as dores emocionais, a depressão… Se vocês pararem para assistir depoimentos de meninas completamente ligadas aos seus corpos que ficam doentes com os comentários dos seguidores que elas mesmas ajudam a adoecer psicologicamente, é surreal!

Então, fica a reflexão… Se fazemos conteúdos que claramente não têm a ver com saúde e nem muito menos autoestima real, damos o aval para que a cobrança acerca do nosso corpo seja ainda mais pesada. E isso vai virando um ciclo cada vez mais difícil de ser revertido.

Deixando bem claro que não estou falando “bem feito” para os comentários acerca do corpo da blogueira, mas é preciso que cada vez mais influenciadores repensem sobre seus conteúdos e sobre a responsabilidade inerente a eles.

Imagem: Pinterest

 

 

 

Se queremos um processo de desconstrução, de mais empoderamento, de sororidade, é preciso direcionarmos nossas atitudes para isso, seja qual for o tamanho do nosso corpo. 

Lembre-se que “magraaaa” não é elogio. Assim como “gordaa” não é insulto.

Que tal começar a enaltecer outras características das pessoas?

Pense nisso você também!

Nos vemos no próximo post.

Anne. 🌼

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